sábado, 22 de março de 2008

Como montar uma rádio MP3


Que MP3 é o assunto do momento todo mundo já sabe. Mas sabia que é muito fácil fazer uma rádio ao vivo com o formato? Tudo que é preciso ter são dois plugins instalados em seu computador que serão usados em conjunto com o Winamp, um dos mais populares tocadores de MP3 para a plataforma Windows.

Na verdade, a rádio funciona mais como um auto-falante do seu Winamp para quem está conectado à Internet. Tudo o que você vai estar fazendo é permitir que outras pessoas possam escutar as MP3 que seu player estiver tocando. Ainda não dá para ser um locutor de verdade, porque é preciso haver uma ferramenta que fique continuamente compactando sua voz em MP3 ao mesmo tempo que transmite. Talvez com o aumento da banda (canal por onde trafegam os dados) isso venha a se modificar.

Enquanto a banda não aumenta, é possível saciar sua sede por ser um disk-jóquei de uma estação de rádio seguindo as instruções desta matéria. O processo é relativamente simples. Além de precisar ter instalado o Winamp, são necessários dois plugins. O primeiro serve para fazer o transmitir as músicas e outro funciona como um servidor (gerenciador do fluxo de dados entre a máquina que faz o envio de dados e a que recebe) onde as pessoas conectarão. Esses plugins podem ser encontrados na página da SHOUTcast.

É bom ter em mente que é preciso uma boa conexão com a Internet, para que as pessoas possam escutar as músicas que serão transmitidas com uma qualidade razoável. No exemplo que estamos publicando, é fundamental que seus ouvintes também tenham instalados o Winamp, caso contrário o streaming (termo que designa a transmissão contínua de sons, músicas e vídeos pela Internet) não vai funcionar.

COMEÇANDO
Como dissemos anteriormente, todos os aplicativos necessários para começar a sua rádio estão disponíveis na Internet, no site da SHOUTcast. Para fazer o download entre na área "download shoutcast". Clique no botão "be a server", e faça o download do SHOUTcast Server, de acordo com a plataforma que você usa. Aqui usamos o SHOUTcast WIN32 GUI server v1.1.0 (esse funciona em Windows de 32 bits, ou seja, Win 95/98, a partir de uma interface gráfica). Existe também a opção Console, que será a utilizada a partir do Prompt do MS-DOS.

Próximo passo, volte onde foi escolhido "be a server" e escolha agora "be a D.J.". Para administrar a rádio será utilizado um plugin chamado SHOUTcast Source for Winamp DSP Plugin. Faça o download que tem 12 KB (o arquivo que baixamos aqui tinha o nome de dsp_sc.zip).

Abra o arquivo do Plugin DSP, que foi baixado do site da SHOUTcast e descompacte ele no seu diretório 'Plugins' do Winamp. Esse pequeno programa tem como utilidade configurar a sua rádio. Descompacte também o arquivo do servidor, baixado do mesmo site. Ele tem como função permitir que as pessoas possam ouvir a "rádio online".


Exemplo de uma grade de programação


1. Início da programação, com comercial "de nosso patrocinador"
2. Noticiário - três ou quatro notícias sobre o tema trabalho ou desemprego
3. Música - a primeira das dez mais votadas pelo telefone!
4. Receita prática, fácil e gostosa
5. Comercial - serviços para a comunidade
6. Entrevista ao vivo - assunto da semana: trabalho no século 21
7. Programa de perguntas e respostas (neste dia pode haver a final do concurso e a premiação do vencedor)
8. Dicas da semana - novas profissões que estão surgindo
9. Música / poesia - sobre o tema trabalho
10. Chamada para evento de fim de semana
11. Novela - "Em busca de um emprego"
12. Horóscopo - previsões voltadas para o trabalho para três signos (outros no decorrer da programação do dia)
13. Fim da programação do dia: agradecimentos do patrocinador.
Sugestões de formatos para alguns blocos dessa grade:
Comerciais - divulgar serviços que gostariam de oferecer para a audiência. Perguntar quem tem alguma profissão ou faz algum tipo de trabalho e gostaria de montar um texto do tipo classificado. Este irá ao ar na programação da rádio. Colocar música de fundo e sonoplastia ou estimular que criem um jingle para o comercial.
Noticiário - a partir da leitura de textos obtidos por meio de pesquisa, elaborar notícias. Exemplo: "As profissões que surgiram nos últimos anos ligadas ao mundo digital"; "Jovens estão inseguros quanto a que profissão escolher"; "O perfil do profissional do século 21"; ou ainda "Desemprego mundial aumenta".
Músicas/poesias - pesquisar músicas e poesias com temática relacionada ao trabalho. Pode-se convidar músicos da localidade para cantarem ao vivo, recitar poesias ou reproduzir a música original. Exemplos: "Operário em construção", de Vinícius de Moraes; "Construção", de Chico Buarque; "Capital de indústria", de Herbert Vianna; "Ensaboa", de Cartola e Monsueto.
Receitas - Nesse programa pode abrir-se espaço para as donas de casa enviarem receitas e dar a receita no ar por telefone ou alguma confeitaria ou restaurante etc. Também pode-se divulgar serviços de confeiteiros, festas e comemorações.
Entrevista ao vivo - convidar uma pessoa (parente, amigo, personalidade, funcionários da prefeitura, etc.) para falar sobre trabalho. A equipe do programa deverá "bolar" o questionário da entrevista baseando-se em textos lidos. Exemplos de temas: o trabalho no século 21; o desemprego no Brasil; falando sobre minha profissão.
Programa de perguntas e respostas - os locutores destinados para esse bloco "bolam" de três a cinco perguntas sobre um tema com três ou quatro opções de respostas, com apenas uma correta. Os participantes irão responder às perguntas num jogo de competição. Vence o que acertar mais respostas. O apresentador anuncia uma nova etapa com perguntas desenvolvidas a partir de um outro tema. Outros ouvintes também podem participar.
Novela - Criam-se capítulos para uma novela sobre um tema ligado ao trabalho. Por exemplo, "Em busca de um emprego" em que o protagonista pode passar por várias situações como entrevistas com o futuro patrão; busca de emprego nos jornais; dificuldade de arrumar um novo emprego; falta de habilidades para profissões novas; etc. Aqui, novamente, faz-se necessária a leitura de textos informativos e a discussão sobre temas ligados ao trabalho. A equipe do programa se encarrega de escrever os textos no formato teatral, fazer a sonoplastia necessária, arranjar músicas de fundo, ensaiar e apresentar a novela
Adaptação de texto do manual do projeto Educom

Digitalização das rádios comunitárias: quem vai pagar a conta?

por Prof Adilson Cabral
Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS
Enquanto as rádios comunitárias de todo o país se envolvem prioritariamente na preocupação mais do que pertinente de sua continuidade - visto que convivem, a cada dia, com a apreensão em terem seus equipamentos levados pela Polícia Federal e seus integrantes presos - outro duro golpe está sendo orquestrado em relação a sua continuidade no âmbito da adoção de uma nova tecnologia para o rádio digital.
Diante de outros sistemas disponíveis – conforme Takashi Tome nas edições 20 a 22 do SETE PONTOS – o Minicom está investindo no padrão americano IBOC (In-Band-on-Channel) e estimulando a realização de testes em rádios comerciais com a aprovação da ANATEL e o envolvimento das emissoras autorizadas até o momento, que deverão gastar de R$ 150 mil a R$ 200 mil com a adaptação.
A expectativa de 15 mil rádios comunitárias em funcionamento, segundo a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (ABRAÇO) – com menos de 3 mil emissoras outorgadas (mesmo que em tramitação no Congresso) e mais de 8 mil apreendidas pela Polícia Federal – não é suficiente para compreender um plano específico de transição para o setor. Ao contrário, as organizações da sociedade civil envolvidas nesses projetos não foram consultadas ou mesmo consideradas na viabilização de testes no contexto do assim chamado “Serviço Especial para Fins Científicos ou Experimentais”.
Dado o envolvimento em questões jurídicas e políticas, são poucas as rádios comunitárias envolvidas ou mesmo interessadas em acompanhar essa transformação, a despeito de sua importância. A adoção de um futuro padrão digital proporcionará a futura transição de todo o sistema de radiodifusão para o modelo a ser adotado, implicando em custos demasiadamente grandes para a maioria das rádios comunitárias e mesmo para pequenas e médias rádios comerciais, se considerados os custos de aquisição de equipamentos de transmissão.
Embora não haja nenhum impedimento nesse sentido, todos os testes autorizados até o momento são no padrão IBOC, de caráter proprietário e restritivo. A adoção desse modelo não somente implica no pagamento de royalties para a empresa que o licencia, a Ibiquity, como também não contempla a possibilidade de aumento de canais – portanto de emissoras, produtoras e vozes disponíveis no sistema.
Outra opção
Enquanto isso, mesmo sem a autorização da ANATEL, a Radiobrás está realizando testes com o modelo DRM (Digital Radio Mondiale) europeu, que embora possibilite um número maior de canais disponíveis, não é compatível com a transmissão em FM. O sistema se baseia em transmissão em ondas curtas, com qualidade próxima a do FM, não implicando em mudanças significativas na relação dos ouvintes com as emissoras, já que não haverá a necessidade de escolher o tipo de faixa (AM, FM, OC ou OT) para sintonizar estações de rádio digital.
O modelo DRM pode ser utilizado em conjunto com o padrão DAB, outro padrão europeu que permite transmissão em FM, mas no entanto ainda há muito a caminhar nesse sentido no Brasil, a despeito de serem encontradas como parceiras, no site do consórcio DRM, emissoras de países como Equador e Tunísia. Dadas as vantagens apresentadas em relação a esse padrão, cabe às iniciativas públicas e comunitárias se associarem para reivindicar também a autorização de testes experimentais junto à ANATEL, estabelecendo o DRM como uma alternativa possível dentro de um futuro cenário para a rádio digital no Brasil.
Publicidade aprovada no novo relatórioO Grupo de Trabalho Interministerial aprovou recentemente um relatório que conta com algumas propostas para reformulação da Lei de Radiodifusão Comunitária. Alegando terem contemplado reivindicações do movimento das emissoras comunitárias, um dos itens aprovados a serem encaminhados será a adoção de publicidade por parte das rádios, à razão de um minuto a cada hora de programação.Embora represente um ganho concreto para as emissoras, essa medida de certa forma livra o poder público da criação de um fundo de apoio às rádios comunitárias, visando o incremento de sua infra-estrutura e mesmo de sua melhor capacitação.Diante de um futuro em que as rádios funcionarão apenas no formato digital, após um período de transição que poderá ser de até 10 anos, cabe perguntar quem pagará a conta dos equipamentos para garantir a transmissão das rádios comunitárias, independentemente do sistema digital a ser adotado no país. Uma resposta consistente a essa pergunta será capaz de evitar a eliminação das rádios comunitárias sem mandatos de busca e apreensão, devido à imposição das restrições econômicas de adaptação no sistema, incompatíveis com o poder aquisitivo de seus empreendedores.

Governo promove interação histórica com rádios comunitárias

08/03/08
Consolidar os eixos da comunicação como instrumento de inclusão e participação social, utilidade pública e ferramenta para exercício da cidadania. Essa foi a temática que norteou o primeiro encontro promovido entre a Secretaria de Estado da Comunicação Social (Secom) e cerca de 20 representantes de rádios comunitárias de todo o Estado. Na ocasião, também foi apresentada uma proposta de parceria inédita com a Unesco, que levará Sergipe a ser o primeiro Estado do país a intermediar capacitação técnica, formação e incorporação de novos valores através de um projeto validado internacionalmente para radiodifusão comunitária. O evento ocorreu na tarde desta sábado, 8, no Del Mar Hotel.
A secretária de Estado da Comunicação, Eloísa Galdino, abriu a reunião expondo diversos focos da política de comunicação implementada pela Secom, dentre os quais a necessidade do Governo do Estado buscar a construção de um relacionamento produtivo com todos os meios que levam informação aos cidadãos, ampliando a perspectiva de buscar atingir todas as comunidades e zonas de difícil acesso na capital e no interior do Estado.
Segundo Eloísa Galdino, a partir do conhecimento da realidade de todos os segmentos da comunicação, o Governo do Estado buscará interagir para garantir o acesso à informação pública e de qualidade. Nesse contexto, a iniciativa pioneira de parceria com a Unesco alavancará Sergipe para uma posição de vanguarda na valorização das rádios comunitárias como ferramenta de difusão cultural.
Parceria
A secretária explicou que o processo de consolidação da parceria com a Unesco se dará a partir do diagnóstico da real situação das emissoras comunitárias, da construção de projetos em conjunto com a equipe da Secom e, sobretudo, da valorização das peculiaridades de cada uma das regiões atingidas. "Buscamos construir uma comunicação social participativa, integrada aos diversos segmentos sociais, como uma política pública que promova o conhecimento, o reconhecimento e a valorização da cultura sergipana", afirmou Eloísa Galdino.
O projeto, que será apresentado ainda neste mês de março, no Itamaraty, em Brasília, é pioneiro no país e se consolidará como uma ferramenta de cooperação de extremo interesse para os técnicos da Unesco, fazendo de Sergipe uma unidade incubadora de novas experiências que poderão ser implementadas em diversos países do mundo.
Resgate
"Essa ação do Governo do Estado é de grande valia, pois os entusiastas da radiodifusão comunitária já estavam desmotivados e descrentes do papel que essa comunicação exerce no contexto social. É uma ação inédita que, sem dúvida, fortalecerá o importante papel dessas emissoras", avaliou o representante da Gerú FM, de Tomar do Gerú, Edvaldo Ferreira da Silva.
"Estamos no ar há três anos e já ouvi diversos relatos que desencorajam quem se inicia na difusão comunitária. Essa ação da Secom, além de representar uma nova visão da comunicação, é o resgate das rádios comunitárias em Sergipe", destacou o representante da FM Boca da Mata, em Nossa Senhora da Glória, Jorgival Santana.
A necessidade de capacitação e de desenvolvimento de projetos eficientes para funcionamento das rádios comunitárias também foi relatado como elemento de extrema importância. "A partir dessa parceria com uma instituição como a Unesco, poderemos enfrentar nossas principais dificuldades que são o desvio da real função das emissoras comunitárias, a organização e a necessidade de capacitação para quem executa esse trabalho como uma vocação de vida", pontuou o representante da Anchieta FM, de Aracaju, Joselito Cavalcante.
Outra preocupação exposta no encontro refere-se à conquista de sustentabilidade pelas emissoras para continuar desenvolvendo uma atividade de relevância social. "Este é o primeiro de muitos encontro que pretendemos realizar nesse processo de construção coletiva e interação entre as próprias emissoras, a Secom e entidades como a Associação Brasileira de Rádios Comunitárias, buscando implementar um processo evolutivo na solução das principais questões que envolvem atualmente as rádios comunitárias", sintetizou Eloísa Galdino.
A iniciativa também pretende envolver diversas outras instituições no reconhecimento e valorização do papel das rádios comunitárias para a sociedade, buscando a modificação do panorama atual das emissoras no estado de Sergipe.
A Secom também pretende apoiar a realização de um detalhado disgnóstico da atuação das rádios comunitárias em todo o Estado, que subsidiará um projeto de modernização para essas emissoras. Outra iniciativa é fornecer apoio para a formação de uma rede de rádios comunitárias no estado, com promoção de cursos deprodução de áudio, incorporando conteúdos jornalísticos que tenham foco nas preocupações sociais, além de seminários e workshops voltados à discussão da atuação dessas emissoras. Além disso, a Secom também pretende apoiar a divulgação da programação das emissoras.
Participaram do encontro o secretário-adjunto de Estado da Cultura, Marcelo Rangel, as assessoras do Núcleo de Integração e Projetos da Secom, Kadydja Albuquerque e Nanah Alves, o assessor para radiodifusão, Cloves Trindade, e o presidente da seccional de Sergipe da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias, José Tavares de Menezes.

Radcoms denunciam abusos e perseguição


As pessoas envolvidas na implantação e manutenção das rádios comunitárias em todo o País estão indignadas com as ações que vêm sendo desenvolvidas pela Agência Nacional de Telecomunicação, Polícia Federal e Ministério das Comunicações. Estas ações, que invariavelmente terminam com o lacre das emissoras e de seus transmissores e com a prisão de dirigentes do movimento, são avaliadas como uma “violação dos direitos humanos”.
“Nem é por causa de ter rádio comunitária envolvida. É por que os direitos do cidadão não estão sendo respeitados. Há abuso de poder e manipulação das forças do estado pelo setor privado de comunicação, que continua agindo abertamente de forma irregular e nenhuma ação do estado é tomada contra elas, já com as comunitárias...”, afirma o coordenador executivo da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), José Sóter ao ser informado dos fatos ocorridos recentemente em Pelotas (RS).
Naquela cidade gaúcha, no dia 21, às 16 horas, acontecia no calçadão, centro de Pelotas, aconteceu um ato público contra a repressão às rádios comunitárias de Pelotas e no mesmo dia a noite um jantar de desagravo aos companheiros que haviam sido presos, cerca de 200 pessoas, lideranças comunitárias, sindicais, comunicadores, associados e ouvintes,especialmente da Rádio Líder, inclusive o representante da Abraço/regional sul do Estado, Elton Garcia e Daniel Vulcan.
O coordenador Executivo da Abraço/RS, Clementino Lopes relatou que, “no dia 21, quinta-feira às 16 horas no calçadão, centro de Pelotas, aconteceu uma ato público contra a REPRESSÃO ÀS RÁDIOS COMUNITÁRIAS DE PELOTAS e no mesmo dia, à noite um JANTAR DE DESAGRAVO AOS COMPANHEIROS QUE HAVIAM SIDO PRESOS. APROXIMADAMENTE 200 PESSOAS, composta por lideranças comunitárias, sindicais, comunicadores, associados e ouvintes,especialmente da Rádio Líder, onde faz parte nosso representante da regional sul do Estado, companheiro Elton Garcia e Daniel Vulcan”.
Prosseguindo ele informa que, “representando a Coordenação da Abraço/RS lá me fiz presente, passando o dia reunido com os companheiros e também acompanhei o depoimento do Presidente de uma Rádio Comunitária no interior da cidade de Piratini.
A situação: Na primeira quinzena de fevereiro, seis rádios, em Pelotas, foram fechadas, equipamentos apreendidos e quatro companheiros presos, Na vizinha cidade de Canguçú a RadCom Popular foi fechada, os equipamentos apreendidos e o locutor JOÃO DURÃO, também preso”.

As prisões

Clementino explica que “a maioria das prisões e apreensões aconteceu sem mandado judicial. Pelo menos não foram deixados cópias dos mandados, nem mesmo cópias dos autos de apreensões. No caso da Rádio Líder, como o companheiro Elton já havia sido preso, há pouco tempo em Assembléia Geral, elegeram o Daniel Vulcan, que vem da Luta pela Moradia e atualmente na Assessoria Parlamentar do vereador Paulo Opa do PT de Pelotas para seu posto”.
“Agentes da Polícia Federal adentraram a rádio sem apresentar mandado judicial, apreenderam os equipamentos e deram voz de prisão ao Elton, que não esboçou qualquer reação contrária. Então solicitaram a presença do presidente da rádio, que era o Daniel Vulcan, que se encontrava na Câmara de Vereadores, local seu trabalho, atualmente. Que chegou uma hora depois e também recebeu voz de prisão. Ambos foram levados no camburão da PF à Delegacia Federal, onde ficaram das 10 as 13h30, depois de ser lavrado o FLAGRANTE, foram conduzidos ALGEMADOS PARA O PRESIDIO ESTADUAL”.

Nús

Ao chegarem no presídio, ainda de acordo com o relato de Clementino, Elton e Vulcan “foram colocados NUS (FIZEREM-NOS TIRAREM TODA ROUPA) CONTRA A PAREDE”, sendo soltos apenas às 2h30 do dia seguinte.
“O fato de terem sido despidos, os companheiros, constrangidos, somente depois de muita argumentação, colocaram essa situação. Com esta informação passada pelo Elton e o Daniel é que constatei que todos os outros também foram despidos no presídio. Elton e o Daniel foram colocados na cela de nº 4 com mais 14 presidiários, (todos de conduta perigosa)”.
Não bastassem estas prisões e atos que violam os direitos do cidadão, Clementino relata que um delegado da PF, ao acompanhar Honorino de Piratini, disse que “se ele retornasse a operar a Rádcom, iria prendê-lo, pois fechará todas as rádios "clandestinas" em sua região.
Diante disso, o representante da Abraço no Rio Grande do Sul disse que teve “uma conversa, de inicio não muito amistosa, disse a ele que essas prisões eram ilegais e que ele estava inclusive contrariando um memorando da Superintendência de que a PF somente acompanharia quando houvesse mandado judicial (informação que a Superintendência havia nos passado em março de 2007). Disse ainda que iríamos entregar-lhe a relação das rádios comerciais com outorgas vencidas e que não aceitaríamos dois pesos e duas medidas. Após alguns embates o delegado, colocou-se a disposição para conversarmos em outra oportunidade”.
Clementino Lopes, após o envio do relato da repressão em Pelotas apresentou à Coordenação Nacional da Abraço alguns encaminhamentos que devem ser adotados devido à ação do Estado, um fato que tem se refletido em todo o território nacional.
Segundo ele, a Abraço solicitará uma audiência com o MPF de Pelotas. Haverá no dia uma manifestação.
b) - Encaminharemos denúncia das prisões na Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, onde comparecerão todos os companheiros PRESOS.
c) - Estamos convocando uma reunião da Coordenação para tirar outros encaminhamentos.
Em todo o Estado do RS, principalmente onde há rádios outorgadas, há uma forte campanha da Abert/Agert, contra os apoios culturais, em algumas regiões como a de Cruz Alta, eles fazem vinhetas próprias para a localidade, todos gravadas em São Paulo, mas com a indicação da Abert/Agert. Inicialmente três rádios perderam em torno de 50% dos apoios culturais. O jogo está muito pesado. Temos denunciado que se trata de uma campanha criminosa e que vamos responsabilizá-los criminalmente. Segundo os companheiros nossas intervenções com entrevistas, têm dado resultado positivo.
“Este é um relato fiel dos acontecimentos”, explica Clementino.

Associação ocupa rádio comercial no Rio Grande do Sul

Da Redação - Comunitárias
20.04.2007

Cerca de 70 ativistas da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias - Abraço do Rio Grande do Sul ocuparam hoje (20/04) a Rádio São Roque, em Faxinal do Soturno, região central do Estado. O grupo leu no ar um manifesto (veja abaixo) contra a Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert), cujo presidente, Roberto Cervo, é detentor da concessão da Rádio São Roque que, segundo a Abraço, está vencida.
Durante o protesto, a programação da rádio foi retirada do ar e a polícia foi chamada. Após uma hora de negociação, os manifestantes deixaram o prédio e parte deles foi para a delegacia local, onde foram identificados e ouvidos. Nenhum ativista foi detido.
A Agert (que é filiada á Abert - Associação Brasileira de Emissoras de Rádios e Televisão) promove atualmente uma campanha contra as rádios comunitárias, com peças publicitárias que "instruem" anunciantes a não veicularem suas propagandas nestes espaços, porque "isso é crime" (veja a carta aos anunciantes em http://www.agert.org.br/ler.asp?tp=A&id=3167). Segundo a Abraço-RS, o ato na Rádio São Roque foi realizado em resposta a estas ações da Agert, para que a pauta das comunitárias ganhe visibilidade, combatendo a visão que as campanhas da associação divulgam.
De acordo com Clementino Lopes, um dos coordenadores da ação, a ocupação foi “tranqüila”, bem como a negociação para desocupar a rádio e seguirem, escoltados, até a delegacia. Entretanto, quatro coordenadores foram arrolados no processo que foi aberto e terão que prestar novos depoimentos. Bruno Lima Rocha, um dos organizadores da ação, diz que a ocupação foi um marco: “O efeito na mídia foi imediato e o risco foi calculado. O prejuízo, em termos legais, já estamos acostumados. Esta foi a primeira de muitas ações”.

Confira o Manifesto da Abraço-RS:

Piratas são eles! Basta de tirania. Liberdade na Comunicação!

O movimento pela democratização da comunicação sofre, nestes últimos anos, o aumento da repressão do Estado. A cada dia, no mínimo, uma rádio comunitária é fechada pelo aparato repressivo, no Brasil. Enquanto isso, nos corredores do poder, em Brasília, articula-se o golpe final ao movimento de rádios comunitárias com a implementação do padrão IBOC (In-Band-On-Channel) de rádio digital
. Assim, estamos diante da possibilidade, cada vez mais real, de exclusão tecnológica. Essa tecnologia, desenvolvida pelos EUA, está a serviço dos interesses dos grandes empresários do setor.

A última ofensiva da radiodifusão comercial é uma campanha, dizendo que fazer apoio cultural (nome técnico de anúncio, na lei que rege o setor) em uma emissora comunitária é o mesmo que comprar um carro roubado. Não bastasse isso, ainda, difundem a mentira que rádio comunitária derruba avião. Defeitos em transmissores podem gerar uma freqüência diferente em qualquer um e entrar na faixa destinada à aeronaves. Assim, é mais provável que uma rádio comercial venha a derrubar avião, em função da potência de seus transmissores ser centenas ou milhares de vezes superior à das RadCom.

Grupos empresariais, preocupados somente com lucro, são os únicos que recebem gordas verbas públicas de publicidade do governo, dominam as rádios, veiculam só o que lhes interessa e detêm o poder sobre a opinião pública, exercendo um verdadeiro oligopólio sobre os meios de comunicação, proibido pela Constituição Federal de 1988.

As rádios comunitárias do Rio Grande do Sul, realmente comprometidas com as questões das comunidades, sofrem forte repressão do governo federal e da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e são perseguidas pela ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) e AGERT (Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão). Somente no ano de 2006, foram fechadas no Rio Grande do Sul, 244 emissoras comunitárias. Militantes foram presos, transmissores lacrados, equipamentos roubados e gente de bem foi tratada como bandido perigoso.

Enquanto isso, de cada três rádios comerciais gaúchas, duas estão com a outorga vencida, totalizando 209 emissoras piratas de verdade, algumas há mais de 10 anos. Assim, 70% das rádios comerciais, detentoras de concessão pública e recebendo verbas estatais, são simplesmente ilegais. Para nós, basta! O Rio Grande, que nunca se rendeu, está em pé de guerra contra esta farsa legal e a tirania da Anatel e do Ministério das Comunicações!

A ação de hoje é uma resposta direta ao coração da AGERT. Roberto Cervo, "Melão" (seu presidente), é o proprietário da Rádio São Roque 1480 AM, de Faxinal do Soturno. O porta-voz do oligopólio grita aos quatro ventos, em de fesa de seus parceiros. É por isso que estamos aqui, ocupando-a.

Se as verbas públicas de propaganda fossem cortadas, a maioria das emissoras comerciais iria à falência. A digitalização, implantando um padrão caríssimo e anti-nacional, é mais um exemplo do crime de lesa pátria. "Melão" defende o padrão digital IBOC. É o padrão mais caro de todos, e quem vai pagar a conta é o povo, que é extorquido através de 50 % de impostos em tudo que consome ou produz, recebendo, em troca, serviços públicos de péssima qualidade. As rádios comunitárias estão unidas e pedem o apoio da população na nossa luta por uma comunicação livre e comprometida com as necessidades da nossa gente.

Pauta de reivindicações permanentes - Abraço RS

- Fora Hélio Costa- Interromper imediatamente os testes do IBOC
- Fim da repressão às rádios comunitárias- Pela implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital - SBTVD (e não do japonês) e do Sistema Brasileiro de Rádio Digital - SBRD (e não do estadunidense)
- Parar campanha da Agert contra as rádios comunitárias! Piratas são eles!
- Outorga por decreto para as rádios referendadas pela Abraço-RS
- Cancelamento das multas e arquivamento dos processos contra nossas emissoras
- Financiamento público para as rádios comunitárias que respeitem o Código de Ética da Abraço
- Construir uma nova legislação para RadCom e um novo marco regulatório para a comunicação
- E, para isso, realizar a 1ª. Conferência de Nacional pela Democratização da Comunicação, com representação somente dos movimentos populares e da comunidade acadêmica- Fechar todas as rádios comerciais com outorga vencida
- Propaganda pública somente para as TVs e Rádios Públicas e Estatais! Chega de xfinanciar o monopólio com nosso imposto!
- Liberação do pagamento das taxas do ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de direitos autorais sobre músicas) para as rádios comunitárias
- TV comunitária em canal aberto para cada cidade
- Transmissão de 70% de produção de conteúdo local, com ênfase nos direitos humanos, especialmente nas causas da libertação da mulher, dos indígenas e do negro!
- Liberação para as RadCom transmitirem em rede
- Construção de um Conselho Deliberativo de RadCom ligado ao Executivo Federal e com maioria de representantes dos movimentos populares

Coordenação Estadual da Abraço-RS
Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária